Livro em Aberto


Sem medo do ridículo

Eis o esboço de mim mesma, finalmente abrindo a porta, e, ao menos, botando a cabeça para dentro... É sombra o esboço? Não saberia responder, e, seja como for, a imagem que apareceu diz respeito a mim, ainda que de relance. E isso é realmente uma coisa nova – e boa –; uma novidade: o risco de abrir e entrar, e a coragem de ser (duplamente ser, já que para mim e para o outro).

Ontem o palco era um cenário – e pude deixar meu corpo dialogar com o todo sem medo do ridículo. Hoje, o que ficou foi o vazio. E a novidade maior: o que não é cheio não está ausência. E isso é realmente uma coisa nova – e boa, muito.

Sem contar que...



Escrito por Carol às 22h53
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tudo se repete:

 

É tudo misturado. Sempre foi e agora de novo... Estranho isso, tudo se repete: os anos passam e a experiência que, antes parecia ter ajudado a esclarecer, não... Nada foi apreendido, porque não basta entender... Tem que viver na carne, e aí é mais complicado...

Mais alguns anos e bastaria?

É a minha cor, o meu cheiro, o meu cabelo e a minha pele, tudo junto com o resto, com o outro corpo, caso contrário não... Não acontece! Tem que entrar – fundo onde eu nem sei – e misturar o que eu sou com o que não sou eu.

Reticências. E a partir daí, ser uma coisa só. Tão melhor... Muito mais quente! Tanto mais intenso e denso quanto mais verdadeiro e sincero... Porque é dentro. E porque é soma!

Não canso de falar: ...

(não suporto o que é raso).

 



Escrito por Carol às 16h50
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Vestir os Nus, Pirandello.

Unirio, de quinta a domingo,

às 20:30, até dia 29/11.



Escrito por Carol às 02h29
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(porque o palhaço sem o seu nariz de palhaço não é palhaço).

 

Muitas coisas novas, tudo mudou tão de repente..., e eu quis que mudasse, eu quis! Travei uma luta calorosa, rasguei as vestimentas que não mais me cabiam, cuspi em cima do que não mais me servia; luta quase animal, árdua, pra conseguir finalmente ajustar os pontos...

(Talvez retornar ao que eu sempre fui). (?).

Eis me aqui! O que fui mais outra ou quase duas – ostras? – ou as duas – outras – ao mesmo tempo neste momento...  Mas essa mudança implica na representação de um papel que nunca aceitei representar – do que não cultivei apresentar!

Estou aprendendo, porém, a reinventar, a tornar a minha ‘originalidade única’ um padrão (e como conceber isso? Isso é possível?). Talvez os ponteiros acelerados dos relógios-nossos-de-cada-dia estejam nos obrigando a nos vender ao próprio tempo... Tempo:

Eis me aqui – aprendendo a ser. Porque se eu continuar sendo o que sempre fui – tudo menos um palhaço sem o seu nariz – se eu continuar simplesmente sendo, estarei fora... E eu, o que quero afinal? Estar dentro?

Para estar dentro é preciso que eu arranque fora o meu nariz? Será que conseguirei, de fato, deixar de ser eu?

(Porque o palhaço sem o seu nariz de palhaço não é palhaço).

 



Escrito por Carol às 21h04
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Meu corpo: mente.

Dar forma ao que em mim é dentro; dar corpo – ser corpo. Arredondar a palavra na pele, não na mente. Porque é... Sempre mente. Minto. Sempre não. Quase. Sempre o pensamento na frente, e o corpo preso, atrasado e rijo.

(mente o meu corpo?).

A cabeça incha: idéias não faltam; a coreografia se dá no pensamento – onde há história – e lá, onde o que há é razão, até que o movimento acontece. Fluida, lanço meu corpo sem rédeas; olhos fechados..., corpo- seguro- no- espaço, entregue..., mas onde a vista alcança, não...

Basta enxergar a realidade – aquilo que não eu, de dentro – pra que meus poros se fechem, e neles, nada mais possa penetrar (e deles, nada mais... não, chega de palavras...).

 

 



Escrito por Carol às 15h56
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