. Escrevo. De novo apago – eis que apago, eu própria na cama, abatida. Tento encontrar a palavra exata que expresse isso. Isto, agora! É difícil porque é muito fundo. É agudo. Como a voz que ouço agora, e que, embora seja bela, entra como agulha quente em meu ouvido.
Fere. E só fere, porque antes você me feriu. Por quê? É o que me pergunto. E além disso, não me entra na cabeça, como me conhece assim, tão bem... Não faz lógica, apesar de eu saber que sim. Faz. Faz todo sentido. E eu no fundo sei.
E é por isso que fere. Porque é fundo. E porque de alguma forma sei que faz parte de um jogo que eu sei jogar – é por isso, eu sei jogar – e, saber que eu tenho esse tipo de espírito, me machuca, porque não sei se suportaria novamente entrar inteira...
E eu sei que você joga. Sei que isso te faz inteiro (faz você ser quem você é). E te fere. Porque você também não é raso.
Escrito por Carol às 23h32
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Escrito por Carol às 22h20
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Parada. Acendo mais um cigarro. No som, Astor Piazzolla. A chuva já não cai mais. O cinzeiro volta a ficar cheio. O céu abriu de azul. O cinza partiu; agora o calor. É um pouco irritante, porque o cinza acalma a culpa do ócio.
Fumo o cigarro fosse ele maconha. Rebeldia desvairada. O som parou. O computador, travado por alguns instantes, me fez pensar que estas palavras se me escapariam para algum lugar que eu nem sei.
Tudo escapa se não aperto bem as mãos. O esmalte vermelho, já de um mês, mostra as unhas precárias. Preciso parar de fumar. Aperto o peito. A tosse é de cachorro. E então, sou como gato. Aparo os bigodes. Decido me lamber. E parar de miar.
Escrito por Carol às 15h58
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