é que, ver as coisas escorrendo por entre meus dedos já não é tão engraçadinho. a lucidez, então, me desperta (a percepção do tempo passando é como um balde de água fria em meu corpo sonolento); rudemente me chacoalha e faz girar meu olhar, voltado para meu umbigo inerte (ficar ensimesmado o tempo todo faz do olhar prisioneiro da sua própria ambição de ser olhado).
ser admirado, além de não ser, necessariamente, um ato externo sincero, pode também, não definir quem essencialmente somos nós. por isso, o que eu quero é aceitar o olhar verdadeiro de quem me olha gostando do que sou; é gostar com o corpo quente (admitir definitivamente que eu quero gostar de um certo alguém).
o que eu quero é, finalmente viver uma vida de verdade - não que seja um fim, já que seria uma partida inicial - mas, para isso acontecer, eu precisaria conseguir certa dose de serenidade, e por conseguinte, acalmar a respiração até a sua brandura.
estar plena, e respirar levemente o amor (porque afinal de contas, o amor é quase seda).
Escrito por Carol às 18h03
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ou a curva de um beco sem saída. não!, do grão se faz o muro. e no muro o buraco, se preciso for.
do mistério do não saber: manda derrubar. ou implora-se o milagre (invisível dádiva). e é o olhar quem pede.
quando a curva é dividida, há dúvida. mas nesse caso, não há muro que impeça o beijo ardente. é quando tudo se dissolve. onde há salvação: o convite - é mais fácil ser escolhido.
estilhaçam-se os grãos (mas não acabam - nunca). assim como não se enxerga o milagre, não se pode apalpar o fim. no mais, o que se quer sem conseguir querer.
Escrito por Carol às 20h43
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