Tocar os lábios. Ter uma idéia. Virar os olhinhos. Colocar a touca no cabelo. Colori-los. Surpreender-se. Abrir a boca. Arregalar os olhos frente ao espelho. Fechar a boca. Abrir um sorriso. Mandar beijos para si. Via espelho. Pintar as unhas. De vermelho. Fechar os vícios. Criar coragem. É Hoje.
É hoje. Pegar o telefone. Linda. Ruiva. Unhas pintadas. Ligar. Oi tudo bem. Oi quem é. Sou eu. Ah. Tudo bem e com você. Tudo indo. Tudo indo bem. Pequeno silêncio. Quer jantar comigo hoje. Hoje. É. Hoje. Acho que não seria uma boa. Ah. Então tudo bem. É. Tudo bem. Bom falar contigo. Bom mesmo. Beijo. Beijo.
Tocar o choro. Envergar a boca. Tocar os lábios. Envergados. Borrar a maquiagem. Ter uma idéia. Pegar a tesoura. Chorar frente ao espelho. Olhar para a tesoura. Cortar os cabelos. Ficar careca. Tirar o esmalte. Vermelho. Criar coragem. Aceitar a derrota. Colocar o pijama.
Toca o telefone. Oi. Oi. Tudo bem. Tudo indo. Tudo indo mal. Pausa. Ouve-se um riso do outro lado do telefone. Comigo também. Recusei seu convite exatamente por isso. Ah. Entendo. Tudo bem eu te entendo mesmo. Mas eu não quero que você me entenda. Ah. Entendi. O que você quer de mim então. Quero jantar com você. Quando. Hoje. Hoje. É. Hoje.
Tocar o interfone. Mostrar-se feliz. Entregar-lhe flores. Vermelhas. Abrir a boca. Dizer que ela está linda. Oi. Oi. Convidá-lo a entrar. Entre. Fechar a porta. Perguntar se ele quer beber alguma coisa. Quer beber alguma coisa? Não. Quero outra coisa. Soltar as amarras. Ouvir música. Arrepiar os poros. Nossa como você está linda. Beijar a boca. Você acha. Sim. Está mais linda do que nunca. Beijar a boca de novo. Obrigada. Apagar a luz. De nada. Abrir as pernas. Muito obrigada. Gozar. Muito de nada.
Escrito por Carol às 23h03
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Abri a janela. O sol adentrou o recinto. O espaço foi tomado. O dia invadiu azul. Ficaram alegres os olhos meus. Mantive a janela aberta. Fui tomada por certa felicidade. Tirei a roupa. Acendi um incenso. Fumei um cigarro. Coloquei meu biquíni. E olhei nos meus olhos. No espelho. Meu corpo sorriu para mim. Gargalhei. Alegria. Alegria. A canga se enrolou. No meu corpo. Saímos rumo à praia. Eu. Deus. E a canga em mim. Paramos no ponto. De ônibus. Pegamos. Um ônibus. Não li. No ônibus. Eles também não leram. A canga cochilou. Deus sumiu. Para onde não sei. Não me importei. Alegria. Alegria. Pensei. Pensamentos bons. Fazia tempo. Até que. De repente. Parou. O ônibus. Desci. Desenrolei-me da canga. Ainda na rua. Livre. Sóbria. Já na areia os pés seguros. Serena. Eu. Canga na mão. E Deus. Ele me seguiu. Engraçado. Quando as coisas vão bem o bem segue a gente. Estendi a canga. E deitei. Em cima. Curioso. Quando as coisas vão bem é a gente que fica em cima. Por cima. As coisas vão bem.
Escrito por Carol às 22h52
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Domingo: planejar um grande amor.
Segunda: esvaziar o cinzeiro, silenciar à televisão, e desligar à noite.
Terça: amanhecer de dia, rasgar papéis imbecis, e jogar o inútil fora.
Quarta: ser útil, abster-se. abastecer-se.
Quinta: fazer amor.
Sexta: esvaziar-se.
Sábado: livre, chorar à liberdade.
Planejar um grande amor é um projeto que exige requinte; o amor pode ser amor a si mesmo, e ao próximo, ou pode ser aquele que é um pano para manga pr´um amor romântico. Qual seja o amor amado, tem que haver concentração.
Quando algo é esvaziado, é que deve haver silêncio; sem consciência do feito nada é. Depois do feito, o sonho.
Abster-se é como uma caridade desse que deixou de ser para esse outro que se tornou; é muito útil abastecer-se com um outro de si mesmo emprestado.
Fazer amor é fazer amor.
É esvaziar-se durante.
É ser livre no gozo.
Chora-se à liberdade porque não se pode esquecer-se no gozo o tempo todo.
O tempo todo planos (sem planos os dias não haveriam de ter relevância).
Escrito por Carol às 22h16
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