Eu queria congelar o tempo por um tempo, porque quando eu congelo o tempo, o tempo deixa de ser tempo. O tempo pára em si mesmo, congelado.
Se tudo o que existe fosse controle-remoto, tudo seria controlado (auto-controlado), bastasse recarregar as baterias e pronto. Clicar num tempo bom sem medo dele acabar (desligar quando bem entendesse).
(Porque meus amigos noutro dia falaram de pessoas que querem controlar outras pessoas, inclusive controlar o tempo. Me entusiasmei.)
Até o controle-remoto falha (se tudo fosse controle-remoto, quem trocaria a bateria morta?).
Eu falho.
Você falha.
Folha vive por osmose (quero ser folha e sobreviver de sol).
Já reparou que o sinal fecha? Os carros andam enquanto nós paramos. O tempo só anda (até mesmo quando a bateria acaba).
Escrito por Carol às 22h16
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porque já fumei um maço de cigarro na esperança de receber uma ligação sua; porque meu mundo mudou de repente. você me obrigou a mudar de rumo, de casa, de cotidiano: eu não tive escolha, embora eu soubesse que seria melhor para você (para mim – embora eu nunca tenha conseguido tomar essa decisão por nós, apesar de saber, de entender com a cabeça).
porque minha cabeça está girando ultimamente, até demais. tento estar sóbria. tento controlar a situação, me segurar – não falar muito (o problema é que quando deixo de falar eu acumulo – daí ser inevitável beber e botar para fora o que escondo; daí ser inevitável fumar, chorar (fumar chorando).
sei que o momento é necessário (devo muito a você - estou pagando, estou pagando.), mas nada me supre, nada se iguala ao momento outro, porque você me acostumou mal, me conquistou como eu nunca imaginaria.
porque acho que estou me cansando de não conseguir seguir (apesar de eu saber que o que passou não existe mais). porque acho que estou te cansando com minha amargura – talvez por isso, te afastando de mim.
porque o problema é o coração, não a cabeça (ela enxerga os fatos, embora tenha que explicar absolutamente tudo com parênteses).
Escrito por Carol às 15h19
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(é muito bom voltar para casa; chegar no meu mundo onde nada me assusta. porque se faço o que não quero, volto embriagada e se não faço nada, nada era para ser feito e volto rouca de saudade):
Amanheciam todos os dias, sem exceção. E eu lá, acreditando que não; dando as costas para o espelho que certamente revelaria (me revelaria). Sendo através de um outro. Vivendo o que o outro vivia. Sendo o outro. Porque parei num tempo que foi mais cômodo e fingi que ele não mais correria. Minha cabeça louca ressuscitou no passado e não quis voltar. E hoje eu rouca.
(acreditei ser possível viver eternamente um amor).
Noutro dia decidi ser eu. Parar de ser o outro para acordar. Decidi dormir. Parar de acreditar no outro, em histórias; fazer eu mesma a minha própria. Não duvidar que os dias acabam; parar de sentir saudade, deixar de ser muda. Porque não quero mais acreditar no que não é para ser acreditado.
(não quero acreditar que meu mundo só é seguro quando estou ao seu lado):
Escrito por Carol às 15h13
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O que eu falo não importa. Não é do seu interesse escutar o que sai da minha boca santa. Porque posso ser - eu sei interpretar, foi o que eu quis dizer. Não que eu queira ser isso ou aquilo para magoar você. Mas também não tente me seduzir com palavras suas. Porque tudo pode ser (pode sempre ser qualquer coisa dependendo do desejo nosso). Porque somos gente e toda gente inventa histórias. É por isso que falo que tudo é fabula - por isso que acredito mais nos gestos (as palavras sempre ferem mais que nossos atos -, pode acreditar).
Me faça acreditar.
Porque quando digo que minto eu assumo minha condição de gente. Você mente também quando diz que não mente, porque você é gente e gente sempre mente. Ilude quem é gente; gente se ilude.
Bastasse eu mudar meu tom; falar manso em seu ouvido, sussurrar, e você, já de quatro. Porque o gesto nosso engana muito mais; o gesto é capcioso, envolve, mesmo quando quer dizer não – somos ingênuos, tolos! Porque tudo é invenção (porque o que resta é muito chato, é muito chato).
Falasse que não e seu mundo cairia. Falasse sim pra mim; falasse.
Porque é fácil cercar uma palavra – ela nos arrebata; nos arremessa à compreensão óbvia da semântica. Difícil é desvendar os gestos; decifrar gente.
Escrito por Carol às 03h51
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CategoriA: Citação
Escrito por Carol às 03h50
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