São Paulo. Você. Por quê? O mundo. A língua. Pessoas, anseios (a língua na minha língua no mesmo timing). Você. Entendo... Você. Outros. Outras... Eu? Por que não? Sou assim... E daí? Cerveja. Sim, estou legal! Por isso digo, suplico... Será (lá vou eu... é, vou eu, pra onde? Fuga?). Outros. De novo. E daí. Você sim. Eu não... Por quê? Cigarros, esquemas, poemas, pra quê? Casa (nossa?), arma (poder), farda (pseudo), bebida, bêbada? Sim. Sim. “Eu digo sim. Eu digo não ao não...”.
Eu sou. Eu digo. Eu, louca? Sim. Sim. Louca e doida e apaixonada. Entende? Me entende? Qual o problema? A vida, o mundo, as mulheres, os homens, e daí? Os problemas... Eu só quero é ser feliz. Quanto? Não sei, porque não sei medir (não sei simplesmente seguir a manada).
Mas e daí?
Porque daqui é isso: apesar do drama, do patho(s) selvagem – o amor. O que me salva...
E aí?
Escrito por Carol às 01h40
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“A gente sempre sabe para onde o cisco voa...”
, disse certo alguém. Especial. Porque tem a capacidade de perceber que, quem voa não pode ficar preso, apesar de parecer clichê.
É especial porque é independente de mim, digo, está vivendo, amando, independente da nossa relação doce... Sempre esteve presente dentro dessa ausência que, sim, existe paradoxalmente. Mas existe amor. Amor é isso? Gosto da idéia talvez por ser eu de um jeito... De um jeito que não sei exatamente como explicar, já que por outro lado:
“NÃO. NÃO. E NÃO!”, diz bem grande e bem alto, colorindo a letra maiúscula de culpa. E só existe culpa por alguém que é especial (sim, esse outro lado também me é caro).
Abro e fecho meus olhos, e
no intervalo entre isto ou aquilo: eu – ainda sem saber.
Escrito por Carol às 17h16
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Não sei. E o pior: o não saber hoje foi demais pra minha cabeça.
Por um triz não estilhacei o resto de casa que ainda existe aqui, onde estou sentada; eu, onde estou sentada: estilhaçada...
Não sei como resolver absolutamente nada do que é preciso ser resolvido; porque tem de ser absoluto, tudo (muita coisa).
O que eu sinto hoje: nada de tanto tudo...
De muito nada, tudo é espasmo: o único caminho...
Escrito por Carol às 22h12
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A mão sobe à boca. Desce um degrau o pé. Viro o pescoço. Torcicolo. A dor não passa. Mania de não passar pra não precisar subir. Desço mais um degrau. Medo. Subo onde não vejo o futuro. É dor? Preciso dos óculos. Onde? Vou ao banheiro e lá, no chão, os meus óculos.
No quarto tudo também no chão. Espalhado. No som Radiohead. Na cabeça ultimamente, mais do que no rádio. Em mim: emaranhado, o que não se explica. Por enquanto, isso tudo espalhado pode estar assim...
(ainda consigo sobreviver sendo teia).
Mais um cigarro, porque a inspiração não vem. Vontade de escrever ainda assim. Vontade. Vontades... A mão desce. Amassa forte a teia, a mão. É liberdade que eu quero? Até quando?
Será possível, o futuro? No futuro?
E eu não me importo com as coisas jogadas no lugar onde eu mesma piso – porque ainda é possível continuar existindo pisando – e, principalmente, fingindo não enxergar as coisas jogadas em lugares que não lhe cabem existencialmente falando.
Mas, e depois de alguns anos? Quando a voz em mim será Oasis, por exemplo?
(porque se são coisas, elas não podem simplesmente escolherem por si mesmas, isso caberia a mim, mas não... deixo-as sem eixo; abstração).
Porque se piso nelas... Se eu piso..., e quebro os meus óculos..., passo a não enxergar o futuro (e, será que é preciso?). (...).
Escrito por Carol às 16h59
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Eis o esboço de mim mesma, finalmente abrindo a porta, e, ao menos, botando a cabeça para dentro... É sombra o esboço? Não saberia responder, e, seja como for, a imagem que apareceu diz respeito a mim, ainda que de relance. E isso é realmente uma coisa nova – e boa –; uma novidade: o risco de abrir e entrar, e a coragem de ser (duplamente ser, já que para mim e para o outro).
Ontem o palco era um cenário – e pude deixar meu corpo dialogar com o todo sem medo do ridículo. Hoje, o que ficou foi o vazio. E a novidade maior: o que não é cheio não está ausência. E isso é realmente uma coisa nova – e boa, muito.
Sem contar que...
Escrito por Carol às 22h53
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É tudo misturado. Sempre foi e agora de novo... Estranho isso, tudo se repete: os anos passam e a experiência que, antes parecia ter ajudado a esclarecer, não... Nada foi apreendido, porque não basta entender... Tem que viver na carne, e aí é mais complicado...
Mais alguns anos e bastaria?
É a minha cor, o meu cheiro, o meu cabelo e a minha pele, tudo junto com o resto, com o outro corpo, caso contrário não... Não acontece! Tem que entrar – fundo onde eu nem sei – e misturar o que eu sou com o que não sou eu.
Reticências. E a partir daí, ser uma coisa só. Tão melhor... Muito mais quente! Tanto mais intenso e denso quanto mais verdadeiro e sincero... Porque é dentro. E porque é soma!
Não canso de falar: ...
(não suporto o que é raso).
Escrito por Carol às 16h50
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Vestir os Nus, Pirandello.
Unirio, de quinta a domingo,
às 20:30, até dia 29/11.
Escrito por Carol às 02h29
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Muitas coisas novas, tudo mudou tão de repente..., e eu quis que mudasse, eu quis! Travei uma luta calorosa, rasguei as vestimentas que não mais me cabiam, cuspi em cima do que não mais me servia; luta quase animal, árdua, pra conseguir finalmente ajustar os pontos...
(Talvez retornar ao que eu sempre fui). (?).
Eis me aqui! O que fui mais outra ou quase duas – ostras? – ou as duas – outras – ao mesmo tempo neste momento... Mas essa mudança implica na representação de um papel que nunca aceitei representar – do que não cultivei apresentar!
Estou aprendendo, porém, a reinventar, a tornar a minha ‘originalidade única’ um padrão (e como conceber isso? Isso é possível?). Talvez os ponteiros acelerados dos relógios-nossos-de-cada-dia estejam nos obrigando a nos vender ao próprio tempo... Tempo:
Eis me aqui – aprendendo a ser. Porque se eu continuar sendo o que sempre fui – tudo menos um palhaço sem o seu nariz – se eu continuar simplesmente sendo, estarei fora... E eu, o que quero afinal? Estar dentro?
Para estar dentro é preciso que eu arranque fora o meu nariz? Será que conseguirei, de fato, deixar de ser eu?
(Porque o palhaço sem o seu nariz de palhaço não é palhaço).
Escrito por Carol às 21h04
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Dar forma ao que em mim é dentro; dar corpo – ser corpo. Arredondar a palavra na pele, não na mente. Porque é... Sempre mente. Minto. Sempre não. Quase. Sempre o pensamento na frente, e o corpo preso, atrasado e rijo.
(mente o meu corpo?).
A cabeça incha: idéias não faltam; a coreografia se dá no pensamento – onde há história – e lá, onde o que há é razão, até que o movimento acontece. Fluida, lanço meu corpo sem rédeas; olhos fechados..., corpo- seguro- no- espaço, entregue..., mas onde a vista alcança, não...
Basta enxergar a realidade – aquilo que não eu, de dentro – pra que meus poros se fechem, e neles, nada mais possa penetrar (e deles, nada mais... não, chega de palavras...).
Escrito por Carol às 15h56
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. Escrevo. De novo apago – eis que apago, eu própria na cama, abatida. Tento encontrar a palavra exata que expresse isso. Isto, agora! É difícil porque é muito fundo. É agudo. Como a voz que ouço agora, e que, embora seja bela, entra como agulha quente em meu ouvido.
Fere. E só fere, porque antes você me feriu. Por quê? É o que me pergunto. E além disso, não me entra na cabeça, como me conhece assim, tão bem... Não faz lógica, apesar de eu saber que sim. Faz. Faz todo sentido. E eu no fundo sei.
E é por isso que fere. Porque é fundo. E porque de alguma forma sei que faz parte de um jogo que eu sei jogar – é por isso, eu sei jogar – e, saber que eu tenho esse tipo de espírito, me machuca, porque não sei se suportaria novamente entrar inteira...
E eu sei que você joga. Sei que isso te faz inteiro (faz você ser quem você é). E te fere. Porque você também não é raso.
Escrito por Carol às 23h32
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Escrito por Carol às 22h20
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Parada. Acendo mais um cigarro. No som, Astor Piazzolla. A chuva já não cai mais. O cinzeiro volta a ficar cheio. O céu abriu de azul. O cinza partiu; agora o calor. É um pouco irritante, porque o cinza acalma a culpa do ócio.
Fumo o cigarro fosse ele maconha. Rebeldia desvairada. O som parou. O computador, travado por alguns instantes, me fez pensar que estas palavras se me escapariam para algum lugar que eu nem sei.
Tudo escapa se não aperto bem as mãos. O esmalte vermelho, já de um mês, mostra as unhas precárias. Preciso parar de fumar. Aperto o peito. A tosse é de cachorro. E então, sou como gato. Aparo os bigodes. Decido me lamber. E parar de miar.
Escrito por Carol às 15h58
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Essa coisa do foco. Foco, menina; foca! A menina-foca na coisa que lhe aparece na frente, de repente. Levemente, vira à direção. Um beijo, um afago, novamente a tira do foco da coisa. A frente muda. E muda, se entrega ao que agora é lado. Depois, o fardo. O sufoco. A menina só-foca o que lhe aparece na frente, porque é como um raio que a seduz - tormenta. Induzida, a menina gira. Os olhos brilham. O mundo fica de cabeça para baixo. Ela, de cima, de ponta cabeça, quebra a rotina, embora (su)foque depois do acalanto. Pranto, porquanto nova direção. E por aí segue... O dia muda, o corpo vibra, e a menina-foca o que reluz.
Escrito por Carol às 01h00
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Escrito por Carol às 17h11
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tudo agora faz sentido, porque entendi que não é preciso, sempre, ‘dar nome aos bois’, olhe pra mim, tente me construir, ainda que da sua maneira, porque eu preciso falar, e falar pra alguém, você; eu, entende, então me olha, eu quero me enxergar em você rastejando, torturada; sei que ainda não te conheço suficiente pra dar razão ao que sinto quando estou perto de você, mas sei que é alguma coisa; diferente, o corpo esquenta um pouco mais..., olha pra mim, faça esse favor de me sentir; ...eu, numa vontade de decifrar sua combustão velada..., sua atenção voltada para não sei o quê, que te deixa longe, que me deixa perto, me escuta, eu te peço que me escute olhando nos meus olhos; eu quero escutar o seu silêncio criativo, quero que dirija meus passos, minha boca..., sua língua em minha nuca, tudo marcado!, tente me construir, preciso ser alguém pra você...; quero que me reflita, porque há sintonia, entende, uma certa loucura em seu olhar, um olhar penetrante e fugidio ao mesmo tempo, que me instiga a olhar na direção do seu pensamento forte e escorregadio...; sei que você goza à minha loucura masoquista, assuma, você gosta..., e... fico grata por olhar com doçura pra mim, sim, lhe agradeço por me achar louca dentro da minha ingenuidade lapidada; eu quero ser a sua amante, seu personagem favorito, sua bela em cena, na cama, na grama, sim!; eu quero ficar uns instantes parada; quero te irritar com a minha insistência; te provocar: corpo à beira de uma erupção ..., quero tensão..; meu corpo quente, ouvindo seus suplícios descontrolados!, eu, rindo, corpo implorando, louca, apaixonada, sim, eu quero ser a sua louca santa, aquela que chora de prazer, santa e louca, enquanto você... você.
Escrito por Carol às 00h49
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