Eu. Qual, existente além de mim? Quanto eu existo? Todos nós temos uma identidade. Eu sou alguns números. Poder-se-ia dizer que sou 27. 890.145, barra 4. Poder-se-ia, mas não cabem mais esses números em mim; já sou uma nova configuração numérica, porquanto, minha identidade alterada: 20, ponto, 093, ponto, 343, barra 7. Fui alguns números enquanto em São Paulo, agora estou outros, – além da barra e dos pontos, e do mar. Sou o meu reflexo nas águas, porém, sou também o que me escapa dessa imagem – porque a imagem, além de ela ser imagem, é ela também, a imagem que se faz dessa própria imagem apercebida – onde a imagem fugidia aos olhos?; afora isso, o que mais?
A existência. Estou existindo. Eu, tu, e eles. Além de mim, tudo, então. Mas (...) A existência afinal, é o que não podemos conter (é aquilo que não se dá corda?), ou, justamente o que é palpável, experimentado por nossos sentidos? Creio que a vida seja a suspensão dela própria – não há como abocanhar a vida, embora haja fome e sem alimento não se vive.
A fala. A fala tenta. Falamos para dar sentido ao que não sabemos. Tudo o que falo não é para ninguém a não ser para mim mesma, para o meu entendimento de mim – no fundo quem muito fala, mal sabe de si. O raciocínio é um dos meios de sobrevivência; a linguagem; a língua; o país; os pais; nós. Eu sou existente, logo a existência existe, persiste, enquanto o ser no mundo insiste em resistir. Ao mesmo tempo não há o que fazer a não ser, ser. Existir é algo como um quadro emoldurado, pendurado na parede de um palácio ou de um casebre qualquer – a existência, então, é a tal janela para o mundo. Joga-se quem quer se jogar.
O vácuo não é ausência.
Quando contornamos o vasto, no fundo, estamos acariciando a falsa ausência que existe dentro do contorno. O rosto no espelho quer contornar-se. O que há é um esboço do que poderia ser controlado. Evai-se o que, em vão, lutamos para apreender; edificamos o que não tem eixo.
Somos preenchíveis. As pessoas do tipo zero - que não possuem identidade, não são nada, ao contrário, são preenchidas em demasia (basta trocar meia dúzia de palavras com elas para perceber). Os que possuem identidade não são necessariamente plenos. Estar no mundo é ser produtor, não acumulador de números. A identidade é uma farsa.
Escrito por Carol às 01h18
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Isto é uma carta. É carta, porque diz alguma coisa com intenção; porque nela, palavras – não que tudo que seja palavra seja para alguém – justapostas como eu e você em meu imaginário; isto é um plano de fuga do que venho sendo. Prever que eu fosse capaz de sentir eu até previa, porque sou assim, de sentir, mas daí a deitar tal verborragia num papel com propósito, já é lá outra estória! Cá estou eu.
Não me apegarei às frases prontas ou, a possíveis chavões para te convencer de mim (não estou aqui para roubar palavras bonitas e fazer delas um presente a você – porque letras são apenas letras e não flores, ainda que, possam tornar-se um lindo buquê no papel –, mas não é o caso).
Ou é.
Não é que (...) Aqui estou eu, e há que se dizer que estou aqui! Um pouco tímida sem saber o que fazer com as palavras – no fundo, meu maior anseio é o de descobrir aonde chegar (talvez por isso eu me sinta encabulada, caso contrário, eu tomava para mim as suas mãos e simplesmente iríamos para esse lugar!).
Não, não... Isto é não é uma carta. Não é, porque possivelmente não disse o que era para ser dito – discursar não é tarefa difícil, falar o que se quer de fato dizer é que faz a voz emudecer (não é fácil entregar nada a quem quer que seja, ao menos no meu caso, por isso rasgo este papel agora, e, agora, jogo estas palavras ao abismo).
Nele: as palavras se ajeitarão para que você possa compreender (...), - apreenderia, você, as palavras que eu não consegui te entregar? Me pegaria, você, pelas mãos, e me levaria por aí? – me levaria por aí? -, (me levaria?).
Escrito por Carol às 18h17
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É assim. Bunda na cadeira e dedo teclando. Letras. No rádio a ponte que me leva a você. Esse som (...) Você (...) Quem? Tantos são. Sãos. Eu. Nada. Derramando uma solidão inesperada. Onde? No chão que eu piso não. – de repente tiros, de um morro qualquer da cidade -, medo eu já nem sinto, nem dos tiros nem de nada (será?).
Volto no quando a paz. Passeio pelo que eu fui – e quando estou, sou muito rápido. No instante seguinte, outra. Por que é assim? Tento descobrir enquanto cuspo essas frases curtas. Porque sou o que escrevo. Letras sorteadas. Palavras não soletradas – que é pra confundir mesmo.
Olhos fitando o que eu nem sei. Mão na face, agora, que é pra tentar acertar, ser racional.
De gelo eu nada sou – nem se eu forçasse à barra. O temor é de não sentir. Talvez por isso a mudança abrupta do eu – do que sou quando o convite chega. Dentro disso que sou eu: muitas, e quanto mais, tanto mais se quer viver - no palco nada, por enquanto; no mundo: muitos eus, que é pra compensar o desejo de viver muitas vidas numa só, curta.
Ser muita coisa ao mesmo tempo: estar com os pés no mar daqui, com os olhos no de lá; acender um fósforo p`rum cigarro meu, e, de repente, uma fogueira num lugar qualquer; dobrar a esquina de uma rua nublada e me desdobrar – acontecer, e o que acontece só acontece no momento acontecido.
É assim. Do chão gasto de tanto andar. Sapatos que já nem me cabem. Um dia, os pés no piso liso a escorregar. Depois o céu. Sugar o ar. Inflar. Conhecer outro. Ar. Amar. Então eu subo, sugo, e gozo, até que decido me recolher à insignificância de um eixo – que na verdade não existe -, mando meus eus calarem à boca, e me aquieto (...), eis que o vento chega forte contra a face serena, cortando. E novamente o vôo. E de novo o corte. Onde a curva que me perdi?
Nesse não comprometimento com isto que sou eu, há isso: o quando.
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Escrito por Carol às 17h49
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Uma caixinha, dentro dela: um segredo, – para mim um milagre! Todos os dias, desde sempre, - desde a primeira vez – pego a caixinha, escondida num canto da minha casa, olho para ela, tremendo e suando. Abro a tampa da caixinha com solenidade e respeito; olho dentro.
Enquanto nela, meus olhos vidrados: demasiada admiração no dentro dela. Luz e esperança me guiaram desde a primeira vez – e até hoje! -, sendo que, afora ela muita perversão (no que tive que me apegar nem tanto por vontade profunda).
Como uma semente, – o dentro da caixinha, – foi crescendo dia após dia; meses empurrando-se uns aos outros, até que anos e anos foram derramados, com o segredo dentro, escondido na caixinha: desabotoou-se sem ao menos perceber.
Ainda que pudesse ter querido resistir ao crescimento, a semente cresceu!, - não existem grandes explicações, ela cresceu e ponto!, - e quando tornei a abrir a caixinha, o segredo quis saltar para fora, tamanha pequenez da caixinha em relação a ele.
Quis e não quis. Medo – como um feto desconfiado do mundo -, e, ainda assim (ainda que não esteja treinado para enfrentar), não há volta: não cabe mais o segredo, nem na caixinha nem em si mesmo.
Escrito por Carol às 00h22
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Entre dois: caminhos; pessoas; possibilidades. Entro, e enterro o passado. Ao fundo: tapo. Tampo. Calo à boca. Entre dois: mecanismo que se repete. Um presente: meu agora dividido. Agora e sempre – porque meus olhos estão à frente. E nas costas. Olho o mundo – pesquiso coisas novas; Calo-me frente um furacão. E estremeço. Escuto. Mas falo também – as palavras me dizem -, sou o que falo e falo; falo.
Entre a sordidez – o que é isso? – esta palavra se me veio. Escrevo errado. Escrevo. Entre duas vogais um hiato – a pausa que só existe quando se deseja silenciar. Eu calo. Meu calo: fragmentos de mim – ainda que inteira, em cada ato.
Entre duas vontades: a que vence é a que é concedida. E eu não ligo. Digo. O que quero. Consigo. Mas e daí? Querer um só caminho é como ter falo? Falar que se deseja ser falo – ter – é admitir certa dose de inferioridade feminina. Mas eu não ligo. Me potencializo.
Entre dois olhares: adoro. Olho. Canto para os olhos que me olham. Danço para os olhares admirados. Sorrio fazendo charme. Desejo. Muito. Entre dois desejadores: o que vence é sempre o mais forte – o que mais deseja (o que falo mais alto).
Escrito por Carol às 01h15
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ao menos uma palavra nova!, que defina o frio na barriga e o suspiro, e o suspiro. que idiotice esse negócio de ficar se apaixonando, suspirando. ao menos uma nova sílaba mais outra, e outra, e quantas forem necessárias para se formar nova definição.
ao menos calmaria e sono - porque toda vez é a mesma coisa -; quando o suspiro, o sono interrompido (e o frio querendo quentura, quentura).
culpa do seu olho. sua culpa por ser um promovedor de suspiros alheios!, - culpa minha por ser suscetível ao extremo; por ser sujeito!
- ainda assim eu gosto!, - culpa do frio.
Escrito por Carol às 03h22
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Sobre o seu olhar. Uma semana já, e ainda olha: quando durmo, quando saio de casa, quando escuto música, quando danço, quando penso seu olhar ainda rastreia-me.
Encanta-me. Você.
Doce. Puro. Perguntei o que tanto me olhava – de olhar-me inteira, o foco era o olho, meu olho, seqüestrado, violado! Você insistia em não responder. Insistia em me encarar; roubar alguma coisa de dentro do meu olho.
(como se o seu olho estivesse aspirando coisas de mim através das minhas pupilas dilatadas).
Uma semana já e nada. Apaixonada.
Fui seqüestrada. Por isso uma semana já e eu com você, ainda!
(dentro do seu olho?)
Escrito por Carol às 01h16
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Um momento sublime como um pássaro fugidio: O que é preciso fazer para não deixa-lo escapar?
Escrito por Carol às 00h26
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Tocar os lábios. Ter uma idéia. Virar os olhinhos. Colocar a touca no cabelo. Colori-los. Surpreender-se. Abrir a boca. Arregalar os olhos frente ao espelho. Fechar a boca. Abrir um sorriso. Mandar beijos para si. Via espelho. Pintar as unhas. De vermelho. Fechar os vícios. Criar coragem. É Hoje.
É hoje. Pegar o telefone. Linda. Ruiva. Unhas pintadas. Ligar. Oi tudo bem. Oi quem é. Sou eu. Ah. Tudo bem e com você. Tudo indo. Tudo indo bem. Pequeno silêncio. Quer jantar comigo hoje. Hoje. É. Hoje. Acho que não seria uma boa. Ah. Então tudo bem. É. Tudo bem. Bom falar contigo. Bom mesmo. Beijo. Beijo.
Tocar o choro. Envergar a boca. Tocar os lábios. Envergados. Borrar a maquiagem. Ter uma idéia. Pegar a tesoura. Chorar frente ao espelho. Olhar para a tesoura. Cortar os cabelos. Ficar careca. Tirar o esmalte. Vermelho. Criar coragem. Aceitar a derrota. Colocar o pijama.
Toca o telefone. Oi. Oi. Tudo bem. Tudo indo. Tudo indo mal. Pausa. Ouve-se um riso do outro lado do telefone. Comigo também. Recusei seu convite exatamente por isso. Ah. Entendo. Tudo bem eu te entendo mesmo. Mas eu não quero que você me entenda. Ah. Entendi. O que você quer de mim então. Quero jantar com você. Quando. Hoje. Hoje. É. Hoje.
Tocar o interfone. Mostrar-se feliz. Entregar-lhe flores. Vermelhas. Abrir a boca. Dizer que ela está linda. Oi. Oi. Convidá-lo a entrar. Entre. Fechar a porta. Perguntar se ele quer beber alguma coisa. Quer beber alguma coisa? Não. Quero outra coisa. Soltar as amarras. Ouvir música. Arrepiar os poros. Nossa como você está linda. Beijar a boca. Você acha. Sim. Está mais linda do que nunca. Beijar a boca de novo. Obrigada. Apagar a luz. De nada. Abrir as pernas. Muito obrigada. Gozar. Muito de nada.
Escrito por Carol às 23h03
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Abri a janela. O sol adentrou o recinto. O espaço foi tomado. O dia invadiu azul. Ficaram alegres os olhos meus. Mantive a janela aberta. Fui tomada por certa felicidade. Tirei a roupa. Acendi um incenso. Fumei um cigarro. Coloquei meu biquíni. E olhei nos meus olhos. No espelho. Meu corpo sorriu para mim. Gargalhei. Alegria. Alegria. A canga se enrolou. No meu corpo. Saímos rumo à praia. Eu. Deus. E a canga em mim. Paramos no ponto. De ônibus. Pegamos. Um ônibus. Não li. No ônibus. Eles também não leram. A canga cochilou. Deus sumiu. Para onde não sei. Não me importei. Alegria. Alegria. Pensei. Pensamentos bons. Fazia tempo. Até que. De repente. Parou. O ônibus. Desci. Desenrolei-me da canga. Ainda na rua. Livre. Sóbria. Já na areia os pés seguros. Serena. Eu. Canga na mão. E Deus. Ele me seguiu. Engraçado. Quando as coisas vão bem o bem segue a gente. Estendi a canga. E deitei. Em cima. Curioso. Quando as coisas vão bem é a gente que fica em cima. Por cima. As coisas vão bem.
Escrito por Carol às 22h52
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Domingo: planejar um grande amor.
Segunda: esvaziar o cinzeiro, silenciar à televisão, e desligar à noite.
Terça: amanhecer de dia, rasgar papéis imbecis, e jogar o inútil fora.
Quarta: ser útil, abster-se. abastecer-se.
Quinta: fazer amor.
Sexta: esvaziar-se.
Sábado: livre, chorar à liberdade.
Planejar um grande amor é um projeto que exige requinte; o amor pode ser amor a si mesmo, e ao próximo, ou pode ser aquele que é um pano para manga pr´um amor romântico. Qual seja o amor amado, tem que haver concentração.
Quando algo é esvaziado, é que deve haver silêncio; sem consciência do feito nada é. Depois do feito, o sonho.
Abster-se é como uma caridade desse que deixou de ser para esse outro que se tornou; é muito útil abastecer-se com um outro de si mesmo emprestado.
Fazer amor é fazer amor.
É esvaziar-se durante.
É ser livre no gozo.
Chora-se à liberdade porque não se pode esquecer-se no gozo o tempo todo.
O tempo todo planos (sem planos os dias não haveriam de ter relevância).
Escrito por Carol às 22h16
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Eu estava olhando para o chão, unha na boca – o olhar estava na verdade voltado para dentro: autismo como forma de auto-revelação. Roí uma, duas unhas, até que percebi seu corpo vindo em minha direção, sem tirar meus olhos do chão.
Quando seu corpo colocou-se de frente para o meu, não pude senão levantar minha cabeça e decifrar-te ainda mais, espiando seus sapatos, depois suas pernas (...) Olhei atentamente, ainda que tímida, seu pescoço, e finalmente seus olhos – não pude fugir! Você me olhou! – você me olhou silenciosamente, talvez pela primeira vez -, eu então desviei minha timidez para a sua boca, tão perfeita e desenhada (...), durante alguns segundos, quase intermináveis!
Uma de suas mãos levantou o meu queixo me obrigando a olhar-te novamente nos olhos, enquanto a outra acariciava minha bochecha rosada – uma carícia genuína e doce. Não faça isso, eu disse! Mas você tapou minha boca com seus dedos fortes, e fiquei assim, com a boca sem ação!, e com as palavras engasgadas há muito!
Não pude – e talvez nem conseguiria – falar, falar, falar tudo o que eu queria (tudo o que eu sinto). Não pude me descontrolar como criança sem rédeas (não me despejei em você, assim, corporalmente falando).
Talvez seu olhar tenha me comido – engolido tudo de mim!, e isso já é um passo (...) Só espero que tenha conseguido me digerir, afinal, depois disso até minhas unhas voltaram a crescer sem que eu as devorasse!, - e isso é um bom sinal...
Escrito por Carol às 00h15
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No que há agora, toda mudez fez-se necessária; impreterivelmente o silêncio apropriou-se da deixa, instalou-se no corpo-caos, e reverberou por todo ele ecoando nenhum som – veja que, som nenhum era suportado ser ouvido no que há agora!
Do corpo-nenhum – no que não há nunca –, toda inexistência fez-se presente; justamente – no sentido mesmo do que é justo –, o corpo, antes, tudo ou muita coisa ou corpo-coisa, permitiu-se esvaziar; – notem que só se esvazia o que está cheio e o que é, logo, se o corpo não esvaziasse imediatamente explodiria. Eis que inexistiu!
Vazio e silente, o corpo, que antes era – depois de gemer feito balão esvaziando –, quando passou a ser isso (não-coisa), por incrível que pareça sentiu-se mais, não menos! Que às vezes muito barulho confunde os sentidos, e faz tapar os olhos, os ouvidos, a língua, e os poros do próprio corpo barulhento.
Escrito por Carol às 01h24
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é quando a vida nos cutuca, assim forte, fazendo a teimosia ir embora!, porque o nódulo se multiplica dia-a-dia - é sempre assim: quando um, sempre outro, e quando se vê, muitos outros nódulos adoecendo a alma.
é quando a vida chega de frente, queixo erguido, e nos chacoalha; nos faz acreditar que os nódulos se dissolverão por si mesmos (...), independente da resistência contra eles ou da própria vontade de superá-los!
Escrito por Carol às 16h08
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Unha, quase não há. A queimadura lá dentro, d´aonde vem à pulsação - como se, num momento anterior tivesse havido incêndio; eclosão de um coração agora envolto em fumaça.
Mãos no queixo, sustentando a cabeça pendida, e os olhos, fixados no chão sustentando o quê? Encafuada em si mesma (...) Da vida, o quê? Onde a receita perdida? Do momento de quase indiferença – já que há pouco a vida se lhe mostrou feia -, ainda os olhos possuídos pelas lágrimas.
Queixume.
Azedume pela existência rompida – mal podendo conter a boiada; então já perdida a potência de ser apenas um boi -, o que ainda poderia ser? Um corpo sem unhas? Veias sem sangue -; coração sem vibrar?
Talvez a esperança de, do leite azedo ao doce de leite – azedo.
Escrito por Carol às 04h23
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