Livro em Aberto


a pizza no forno,
lá fora a chuva.

eu aqui, onde?

quando, o ponto final
da interrogação?

para me completar,
o quê?



Escrito por Carol às 20h28
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eis que alguma coisa mudou em mim: o olhar, agora mais direto; e o foco, e o foco. quando de repente, sem saber ao certo o dia ou a hora, fui acometida por uma sensação outra - de ser. 

então aos poucos, a leveza tomou para si o espaço que antes era caos - um turbilhão -, e eu tinha prometido não mais escrever, eu tinha, porque parece que o caos pede a escrita, e eu já não quero mais o turbilhão. 

eis que escrevo, um tanto no meio do caminho - ainda é difícil olhar numa única direção -, embora desta vez, as palavras estejam me servindo como um lembrete: aqui está você!, você também pode ser isto!, 

e no meio do caminho olho para a minha sombra, que, docemente se inclina para a brandura - e a brandura é o foco, e foco é a direção, e a direção é a leveza, e a leveza... esta sou eu, ou o que almejo ser: sair do meio.



Escrito por Carol às 03h30
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Eu.

quero...

um!

amor?



Escrito por Carol às 22h17
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é que, ver as coisas escorrendo por entre meus dedos já não é tão engraçadinho. a lucidez, então, me desperta (a percepção do tempo passando é como um balde de água fria em meu corpo sonolento); rudemente me chacoalha e faz girar meu olhar, voltado para meu umbigo inerte (ficar ensimesmado o tempo todo faz do olhar prisioneiro da sua própria ambição de ser olhado).

ser admirado, além de não ser, necessariamente, um ato externo sincero, pode também, não definir quem essencialmente somos nós. por isso, o que eu quero é aceitar o olhar verdadeiro de quem me olha gostando do que sou; é gostar com o corpo quente (admitir definitivamente que eu quero gostar de um certo alguém).

o que eu quero é, finalmente viver uma vida de verdade - não que seja um fim, já que seria uma partida inicial - mas, para isso acontecer, eu precisaria conseguir certa dose de serenidade, e por conseguinte, acalmar a respiração até a sua brandura.

estar plena, e respirar levemente o amor (porque afinal de contas, o amor é quase seda).



Escrito por Carol às 18h03
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ou a curva de um beco sem saída. não!, do grão se faz o muro. e no muro o buraco, se preciso for.

do mistério do não saber: manda derrubar. ou implora-se o milagre (invisível dádiva). e é o olhar quem pede.

 

quando a curva é dividida, há dúvida. mas nesse caso, não há muro que impeça o beijo ardente. é quando tudo se dissolve. onde há salvação: o convite - é mais fácil ser escolhido.

 

estilhaçam-se os grãos (mas não acabam - nunca). assim como não se enxerga o milagre, não se pode apalpar o fim. no mais, o que se quer sem conseguir querer.

 

 

 



Escrito por Carol às 20h43
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jogar água nos olhos embaçados e seguir reto - parar de inventar círculos por aí! a menina quer andar sem tropeços!, tirar o peso da mochila (achar na bagunça um só caminho, e ir sem tanto machucar a sola dos pés). 

o que a menina quer é sossego. encontrar um lugar puro onde possa respirar. ouvir menos barulho. entrar em si, e sair de si (reverberar). pousar a mão sem precisar tirar - porque a menina quer acreditar. 

o que a menina não mais quer é correr parada!



Escrito por Carol às 14h45
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como um derretimento da alma abatida, fatigada. corro, corro, e já não há socorro: o tempo gasto escancara o assalto do que fui - é ladrão, inescrupulosamente assassino de toda e qualquer pureza que outrora esteve reinante.

a dança, agora, cansa o corpo, e a melodia, já não convence suficientemente, ao fechamento dos meus olhos - não há abertura para fantasias -; neste momento, a mente está encouraçada, e o coração, arredio.

cheguei a acreditar que, alguma força, um dia me salvaria - de mim. eis que, quando ouso fechar meus olhos, ao invés de enxergar um caminho à redenção de mim mesma, escuto o abismo em seu desdobramento.

 



Escrito por Carol às 20h28
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ao pé do ouvido; voz abafada, e o que se camufla – do desejo -, deixar escapulir com a rouquidão, e, o pé do ouvido, morder, rouquidamente romper com o que está acortinado.

 

com que o ouvido outro, que não é o seu próprio, escute, silenciosamente – e lentamente, e deliciosamente – o som que abafa o desejo; o desabafo do que se espreme dentro do peito.

 

não é grito, porque é sensual. e também não é ríspido, digo, ansioso, porque é doce, apesar de ser desejo.

 

com que o ouvido outro, - que quer ouvir -, depois de escutar, transforme tudo ao redor em som, e depois de um leve espasmo, fale.

 



Escrito por Carol às 23h36
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E a vontade visceral? Aquela que atravessa o eixo no momento em que invade o corpo do corpo, que toma o corpo desejador num gole ardente, e o faz tremer tamanha vontade de vontade de invadi-lo e de fato corporificar-se?!

 

Desejo que não é secreto quando surge, que vem dilacerando, acelerando, palpitando a carne, fazendo o olho pulsar de tanto querer ver, sugar, experimentar o desejo, a princípio sem rédeas, cavalgando crânio adentro, percorrendo as veias famintas, querendo e existindo, e coexistindo, carne com aquilo que não é carne, até que,

 

a vontade vai sendo enjaulada; trancando o corpo em si mesmo, enclausurando os sentidos mais primitivos, entalando o corpo de desejos oprimidos; tornando a carne pura massa, rija, e áspera – porque é sempre cortante quando se ignora um querer que é o seu próprio!

 

Entulhar vontades, nunca é por opção originária: o corpo agora, como um tubo lotado de nãos (porque de repente, escuta-se um sopro no ouvido, uma sonoridade apaziguadora, mas, que, ao mesmo tempo, castra). E, castradores de nós mesmos, o sopro nos ensina a falar uma mesma língua (...) e nos faz esquecer que temos desejos diferentes, dissonantes, arredios e rebeldes.

 

Tornemos nossos corpos surdos contra o sopro repressor! Eis que a carne deixará de ser só massa e dominará o mundo, sem medo, sem nada, por pura vontade de deixar-se ir! Por puro êxtase de ser apenas corpo levado por si mesmo, a qualquer lugar!



Escrito por Carol às 00h41
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Novo aconchego. De novo, à volta. No que retorno, encontros – reencontros. Do que eu gosto, o sorriso, e a euforia desmedida. Do que não pedi, o presente da relação não querida.

 

O que mais quero neste momento é a alegria – o clichê de uma rotina tranqüila. Porque nos dias que se foram eu estive presente, do que existe no instante.

 

Não querer o que não me quer bem é pedir muito?

 

Findo o que é finito por si só – e é sempre triste a despedida. Não que eu tenha me abatido durante o dia, afinal o sol; mas, bastou que a noite chegasse com a sua ironia, para o coração apertar – e querer o que foi bom!

 

Foi. Mas o que é, aqui está - é isto aqui -, e, inda que a saudade dê sinal, estou com o agora – sempre!

 



Escrito por Carol às 01h17
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Sem muitas palavras, que é pra não esgotar o outro lado do disco.


 


O tempo está leve, – brisa no pescoço nu, e a saudade – e a saudade! Na memória a sua imagem - que é como um sussurro agudo e quente.


 


Por isso, a falta não é ruim, é paz. Não é dor, é vontade! Do que não entendo, basta o cheiro, seu gosto!



Escrito por Carol às 00h25
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fosse só a chuva (...), mas, e esse vento?

Escrito por Carol às 02h43
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Eu. Qual, existente além de mim? Quanto eu existo? Todos nós temos uma identidade. Eu sou alguns números. Poder-se-ia dizer que sou 27. 890.145, barra 4. Poder-se-ia, mas não cabem mais esses números em mim; já sou uma nova configuração numérica, porquanto, minha identidade alterada: 20, ponto, 093, ponto, 343, barra 7. Fui alguns números enquanto em São Paulo, agora estou outros, – além da barra e dos pontos, e do mar. Sou o meu reflexo nas águas, porém, sou também o que me escapa dessa imagem – porque a imagem, além de ela ser imagem, é ela também, a imagem que se faz dessa própria imagem apercebida  – onde a imagem fugidia aos olhos?; afora isso, o que mais?

 

A existência. Estou existindo. Eu, tu, e eles. Além de mim, tudo, então. Mas (...) A existência afinal, é o que não podemos conter (é aquilo que não se dá corda?), ou, justamente o que é palpável, experimentado por nossos sentidos? Creio que a vida seja a suspensão dela própria –  não há como abocanhar a vida, embora haja fome e sem alimento não se vive.

 

 A fala. A fala tenta. Falamos para dar sentido ao que não sabemos. Tudo o que falo não é para ninguém a não ser para mim mesma, para o meu entendimento de mim – no fundo quem muito fala, mal sabe de si. O raciocínio é um dos meios de sobrevivência; a linguagem; a língua; o país; os pais; nós. Eu sou existente, logo a existência existe, persiste, enquanto o ser no mundo insiste em resistir. Ao mesmo tempo não há o que fazer a não ser, ser. Existir é algo como um quadro emoldurado, pendurado na parede de um palácio ou de um casebre qualquer – a existência, então, é a tal janela para o mundo. Joga-se quem quer se jogar.

 

O vácuo não é ausência.

 

Quando contornamos o vasto, no fundo, estamos acariciando a falsa ausência que existe dentro do contorno. O rosto no espelho quer contornar-se. O que há é um esboço do que poderia ser controlado. Evai-se o que, em vão, lutamos para apreender; edificamos o que não tem eixo.

 

Somos preenchíveis. As pessoas do tipo zero - que não possuem identidade, não são nada, ao contrário, são preenchidas em demasia (basta trocar meia dúzia de palavras com elas para perceber). Os que possuem identidade não são necessariamente plenos. Estar no mundo é ser produtor, não acumulador de números. A identidade é uma farsa.

 

 



Escrito por Carol às 01h18
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Isto é uma carta. É carta, porque diz alguma coisa com intenção; porque nela, palavras – não que tudo que seja palavra seja para alguém – justapostas como eu e você em meu imaginário; isto é um plano de fuga do que venho sendo. Prever que eu fosse capaz de sentir eu até previa, porque sou assim, de sentir, mas daí a deitar tal verborragia num papel com propósito, já é lá outra estória! Cá estou eu.

 

Não me apegarei às frases prontas ou, a possíveis chavões para te convencer de mim (não estou aqui para roubar palavras bonitas e fazer delas um presente a você – porque letras são apenas letras e não flores, ainda que, possam tornar-se um lindo buquê no papel –, mas não é o caso).

 

Ou é.

 

Não é que (...) Aqui estou eu, e há que se dizer que estou aqui! Um pouco tímida sem saber o que fazer com as palavras – no fundo, meu maior anseio é o de descobrir aonde chegar (talvez por isso eu me sinta encabulada, caso contrário, eu tomava para mim as suas mãos e simplesmente iríamos para esse lugar!).

 

Não, não... Isto é não é uma carta. Não é, porque possivelmente não disse o que era para ser dito – discursar não é tarefa difícil, falar o que se quer de fato dizer é que faz a voz emudecer (não é fácil entregar nada a quem quer que seja, ao menos no meu caso, por isso rasgo este papel agora, e, agora, jogo estas palavras ao abismo).

 

Nele: as palavras se ajeitarão para que você possa compreender (...), -  apreenderia, você, as palavras que eu não consegui te entregar? Me pegaria, você, pelas mãos, e me levaria por aí? – me levaria por aí? -, (me levaria?).

 

 



Escrito por Carol às 18h17
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É assim. Bunda na cadeira e dedo teclando. Letras. No rádio a ponte que me leva a você. Esse som (...) Você (...) Quem? Tantos são. Sãos. Eu. Nada. Derramando uma solidão inesperada. Onde? No chão que eu piso não. – de repente tiros, de um morro qualquer da cidade -, medo eu já nem sinto, nem dos tiros nem de nada (será?).

                                                                                                                                                

Volto no quando a paz. Passeio pelo que eu fui –  e quando estou, sou muito rápido. No instante seguinte, outra. Por que é assim? Tento descobrir enquanto cuspo essas frases curtas. Porque sou o que escrevo. Letras sorteadas. Palavras não soletradas – que é pra confundir mesmo.

 

Olhos fitando o que eu nem sei. Mão na face, agora, que é pra tentar acertar, ser racional.

 

De gelo eu nada sou – nem se eu forçasse à barra. O temor é de não sentir. Talvez por isso a mudança abrupta do eu – do que sou quando o convite chega. Dentro disso que sou eu: muitas, e quanto mais, tanto mais se quer viver - no palco nada, por enquanto; no mundo: muitos eus, que é pra compensar o desejo de viver muitas vidas numa só, curta.

 

Ser muita coisa ao mesmo tempo: estar com os pés no mar daqui, com os olhos no de lá; acender um fósforo p`rum cigarro meu, e, de repente, uma fogueira num lugar qualquer; dobrar a esquina de uma rua nublada e me desdobrar – acontecer, e o que acontece só acontece no momento acontecido.

 

É assim. Do chão gasto de tanto andar. Sapatos que já nem me cabem. Um dia, os pés no piso liso a escorregar. Depois o céu. Sugar o ar. Inflar. Conhecer outro. Ar. Amar. Então eu subo, sugo, e gozo, até que decido me recolher à insignificância de um eixo – que na verdade não existe -, mando meus eus calarem à boca, e me aquieto (...), eis que o vento chega forte contra a face serena, cortando. E novamente o vôo. E de novo o corte. Onde a curva que me perdi?

 

Nesse não comprometimento com isto que sou eu, há isso: o quando.

 

.

 

 



Escrito por Carol às 17h49
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