
Dia 27/07, às 22hs.
É tudo misturado. Sempre foi e agora de novo... Estranho isso, tudo se repete: os anos passam e a experiência que, antes parecia ter ajudado a esclarecer, não... Nada foi apreendido, porque não basta entender... Tem que viver na carne, e aí é mais complicado...
Mais alguns anos e bastaria?
É a minha cor, o meu cheiro, o meu cabelo e a minha pele, tudo junto com o resto, com o outro corpo, caso contrário não... Não acontece! Tem que entrar – fundo onde eu nem sei – e misturar o que eu sou com o que não sou eu.
Reticências. E a partir daí, ser uma coisa só. Tão melhor... Muito mais quente! Tanto mais intenso e denso quanto mais verdadeiro e sincero... Porque é dentro. E porque é soma!
Não canso de falar: ...
(não suporto o que é raso).
Escrito por Carol às 16h50
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Vestir os Nus, Pirandello.
Unirio, de quinta a domingo,
às 20:30, até dia 29/11.
Escrito por Carol às 02h29
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Muitas coisas novas, tudo mudou tão de repente..., e eu quis que mudasse, eu quis! Travei uma luta calorosa, rasguei as vestimentas que não mais me cabiam, cuspi em cima do que não mais me servia; luta quase animal, árdua, pra conseguir finalmente ajustar os pontos...
(Talvez retornar ao que eu sempre fui). (?).
Eis me aqui! O que fui mais outra ou quase duas – ostras? – ou as duas – outras – ao mesmo tempo neste momento... Mas essa mudança implica na representação de um papel que nunca aceitei representar – do que não cultivei apresentar!
Estou aprendendo, porém, a reinventar, a tornar a minha ‘originalidade única’ um padrão (e como conceber isso? Isso é possível?). Talvez os ponteiros acelerados dos relógios-nossos-de-cada-dia estejam nos obrigando a nos vender ao próprio tempo... Tempo:
Eis me aqui – aprendendo a ser. Porque se eu continuar sendo o que sempre fui – tudo menos um palhaço sem o seu nariz – se eu continuar simplesmente sendo, estarei fora... E eu, o que quero afinal? Estar dentro?
Para estar dentro é preciso que eu arranque fora o meu nariz? Será que conseguirei, de fato, deixar de ser eu?
(Porque o palhaço sem o seu nariz de palhaço não é palhaço).
Escrito por Carol às 21h04
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Dar forma ao que em mim é dentro; dar corpo – ser corpo. Arredondar a palavra na pele, não na mente. Porque é... Sempre mente. Minto. Sempre não. Quase. Sempre o pensamento na frente, e o corpo preso, atrasado e rijo.
(mente o meu corpo?).
A cabeça incha: idéias não faltam; a coreografia se dá no pensamento – onde há história – e lá, onde o que há é razão, até que o movimento acontece. Fluida, lanço meu corpo sem rédeas; olhos fechados..., corpo- seguro- no- espaço, entregue..., mas onde a vista alcança, não...
Basta enxergar a realidade – aquilo que não eu, de dentro – pra que meus poros se fechem, e neles, nada mais possa penetrar (e deles, nada mais... não, chega de palavras...).
Escrito por Carol às 15h56
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. Escrevo. De novo apago – eis que apago, eu própria na cama, abatida. Tento encontrar a palavra exata que expresse isso. Isto, agora! É difícil porque é muito fundo. É agudo. Como a voz que ouço agora, e que, embora seja bela, entra como agulha quente em meu ouvido.
Fere. E só fere, porque antes você me feriu. Por quê? É o que me pergunto. E além disso, não me entra na cabeça, como me conhece assim, tão bem... Não faz lógica, apesar de eu saber que sim. Faz. Faz todo sentido. E eu no fundo sei.
E é por isso que fere. Porque é fundo. E porque de alguma forma sei que faz parte de um jogo que eu sei jogar – é por isso, eu sei jogar – e, saber que eu tenho esse tipo de espírito, me machuca, porque não sei se suportaria novamente entrar inteira...
E eu sei que você joga. Sei que isso te faz inteiro (faz você ser quem você é). E te fere. Porque você também não é raso.
Escrito por Carol às 23h32
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Escrito por Carol às 22h20
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Parada. Acendo mais um cigarro. No som, Astor Piazzolla. A chuva já não cai mais. O cinzeiro volta a ficar cheio. O céu abriu de azul. O cinza partiu; agora o calor. É um pouco irritante, porque o cinza acalma a culpa do ócio.
Fumo o cigarro fosse ele maconha. Rebeldia desvairada. O som parou. O computador, travado por alguns instantes, me fez pensar que estas palavras se me escapariam para algum lugar que eu nem sei.
Tudo escapa se não aperto bem as mãos. O esmalte vermelho, já de um mês, mostra as unhas precárias. Preciso parar de fumar. Aperto o peito. A tosse é de cachorro. E então, sou como gato. Aparo os bigodes. Decido me lamber. E parar de miar.
Escrito por Carol às 15h58
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Essa coisa do foco. Foco, menina; foca! A menina-foca na coisa que lhe aparece na frente, de repente. Levemente, vira à direção. Um beijo, um afago, novamente a tira do foco da coisa. A frente muda. E muda, se entrega ao que agora é lado. Depois, o fardo. O sufoco. A menina só-foca o que lhe aparece na frente, porque é como um raio que a seduz - tormenta. Induzida, a menina gira. Os olhos brilham. O mundo fica de cabeça para baixo. Ela, de cima, de ponta cabeça, quebra a rotina, embora (su)foque depois do acalanto. Pranto, porquanto nova direção. E por aí segue... O dia muda, o corpo vibra, e a menina-foca o que reluz.
Escrito por Carol às 01h00
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Escrito por Carol às 17h11
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tudo agora faz sentido, porque entendi que não é preciso, sempre, ‘dar nome aos bois’, olhe pra mim, tente me construir, ainda que da sua maneira, porque eu preciso falar, e falar pra alguém, você; eu, entende, então me olha, eu quero me enxergar em você rastejando, torturada; sei que ainda não te conheço suficiente pra dar razão ao que sinto quando estou perto de você, mas sei que é alguma coisa; diferente, o corpo esquenta um pouco mais..., olha pra mim, faça esse favor de me sentir; ...eu, numa vontade de decifrar sua combustão velada..., sua atenção voltada para não sei o quê, que te deixa longe, que me deixa perto, me escuta, eu te peço que me escute olhando nos meus olhos; eu quero escutar o seu silêncio criativo, quero que dirija meus passos, minha boca..., sua língua em minha nuca, tudo marcado!, tente me construir, preciso ser alguém pra você...; quero que me reflita, porque há sintonia, entende, uma certa loucura em seu olhar, um olhar penetrante e fugidio ao mesmo tempo, que me instiga a olhar na direção do seu pensamento forte e escorregadio...; sei que você goza à minha loucura masoquista, assuma, você gosta..., e... fico grata por olhar com doçura pra mim, sim, lhe agradeço por me achar louca dentro da minha ingenuidade lapidada; eu quero ser a sua amante, seu personagem favorito, sua bela em cena, na cama, na grama, sim!; eu quero ficar uns instantes parada; quero te irritar com a minha insistência; te provocar: corpo à beira de uma erupção ..., quero tensão..; meu corpo quente, ouvindo seus suplícios descontrolados!, eu, rindo, corpo implorando, louca, apaixonada, sim, eu quero ser a sua louca santa, aquela que chora de prazer, santa e louca, enquanto você... você.
Escrito por Carol às 00h49
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CategoriA: Link
Escrito por Carol às 01h24
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o corpo lá fora,
e o desejo de movimento.
o velho, que já não interessa,
coloco em seu lugar.
o agora: eis o milagre! em diante,
o novo, posto em prática.
Escrito por Carol às 00h51
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a pizza no forno,
lá fora a chuva.
eu aqui, onde?
quando, o ponto final
da interrogação?
para me completar,
o quê?
Escrito por Carol às 20h28
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eis que alguma coisa mudou em mim: o olhar, agora mais direto; e o foco, e o foco. quando de repente, sem saber ao certo o dia ou a hora, fui acometida por uma sensação outra - de ser.
então aos poucos, a leveza tomou para si o espaço que antes era caos - um turbilhão -, e eu tinha prometido não mais escrever, eu tinha, porque parece que o caos pede a escrita, e eu já não quero mais o turbilhão.
eis que escrevo, um tanto no meio do caminho - ainda é difícil olhar numa única direção -, embora desta vez, as palavras estejam me servindo como um lembrete: aqui está você!, você também pode ser isto!,
e no meio do caminho olho para a minha sombra, que, docemente se inclina para a brandura - e a brandura é o foco, e foco é a direção, e a direção é a leveza, e a leveza... esta sou eu, ou o que almejo ser: sair do meio.
Escrito por Carol às 03h30
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Eu.
quero...
um!
amor?
Escrito por Carol às 22h17
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